sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mito - Inspirado por Michael Jackson

Com a morte de Michael Jackson e a verdadeira comoção mundial que ela trouxe, discorro sobre a importância de um mito na sociedade.

Nós, reles mortais, nascemos, crescemos, envelhecemos e sabemos que um dia iremos morrer completamente anônimos, com alguns gatos pingados participando de nosso enterro. Sem mídia, sem holofotes, descansaremos em paz. Talvez com algumas pequenas fofocas maldosas de quem poderíamos ter sido ou o que poderíamos ter feito a mais. Nada que ganhe 24 horas de transmissão mundial ou a primeira página de um jornal.

Faremos nossas ações de caridade em momentos de compaixão e no quanto nossos bolsos e corações permitirem. Seja doando dinheiro para velhinhos, crianças ou deficientes no sinal de trânsito, ou contribuindo timidamente com algumas instituições, através da doação de comida, agasalho e brinquedos. Não seremos prêmio Nobel da Paz, nem destaque em ações contra a fome na África ou no Sertão brasileiro por causa disso. Nossa parte é computada como a de qualquer cidadão comum, sem glórias, contando apenas com a consciência do que cada um deve fazer para melhorar a rua, bairro, ou no máximo, a cidade.

Não nos envolvemos em grandes escândalos, mesmo que muitas de nossas atitudes sejam escandolasas e pudessem estampar a primeira página do Globo ou do New York Times. Ninguém segue nossas tendências de nos vestir, no nosso jeito de escovar os dentes, se usamos escovas comuns ou elétricas. Ninguém se importa se saímos com uma roupa completamente descombinada, sem maquiagem ou com as unhas por fazer. Fazemos inúmeras plásticas para melhorar (?) nossas aparências, mas elas só são comentadas em mesas de bar, num círculo particular de amigos que nos detonam ou nos elogiam.

Curtimos nossa infância, brincamos de amarelinha, videogame e bola de gude, e somos imensamente felizes com isso. Fomos adolescentes rebeldes, brigamos com nossos familiares e, pasmem, isso nunca virou notícia. Nos tornamos engenheiros, publicitários, advogados, médicos, vendedores. Casamos, separamos, temos filhos de outros casamentos, mas nenhuma rádio noticia com quem ficarão as crianças caso o pai ou mãe faleçam inesperadamente.

Somos normais. Se é que esse termo pode ser aplicado corretamente. Vivemos nossas felicidades e infelicidades sem que o mundo inteiro nos cobre o porquê de estarmos nos sentindo daquele jeito. Temos a paz de sermos nós mesmos, sem medo ou receio de sermos julgados por qualquer pessoa que a gente esbarre na esquina.

Mas também...não somos agraciados e beijados por desconhecidos, ninguém grita nosso nome num estádio de futebol em uníssono junto a cento e tantas mil pessoas. Ninguém nos pára na rua para dizer como amou a campanha que criamos ou o processo que ganhamos nem a venda que fizemos, que valeu 30.000 reais e tirou a empresa do sufoco.

Mesmo assim, como no início dos tempos, o mundo precisa de um mito, ou de um mártir, que vá nos inspirar a sermos melhores, um espelho de quem gostaríamos de ser, mesmo sabendo que eles são pessoas comuns, completamente imperfeitos. O mito é um grande vencedor nesse mundo cheio de hipocrisias, preconceitos e julgamentos. Vive uma vida exposta, muitas vezes infeliz com o simples e único objetivo de inspirar os outros, mesmo que muitos abusem do direito de receber essa inspiração.

Eu tenho pena dos mitos, tenho pena da vida de sacrifícios que vivem para nos deleitar, nos fazer cantar suas canções ou assitir seus premiados filmes.

Não sou nem nunca fui uma fã do Michael Jackson, mas sua trajetória de vida me tocou. Independentemente dos boatos ou verdades sobre o que fez ou deixou de fazer. Eu tenho pena. Será que a fama vale esse preço?

2 comentários:

carlos disse...

Muito bom,minha filha!Vc. com certeza é um mito para mim.Uma filha que com sua leveza no escrever nos impacta de forma definitiva!
Continue,filha!Nao desista nunca!
um beijo carinhoso,
seu pai

CCL disse...

Bom texto...acho q está na hora de você começar a pensar em colocar a escrita na rotina do seu dia.